A escopolamina, também conhecida como hioscina, é um fármaco anticolinérgico pertencente à classe dos alcaloides de beladona [1]. Historicamente derivada de plantas como a Datura stramonium e Hyoscyamus niger, esta substância tem sido amplamente estudada e utilizada na prática clínica, especialmente sob a forma de adesivo transdérmico (patch) [1] [2].
O sistema transdérmico de escopolamina (TTS) foi desenvolvido para superar as limitações farmacocinéticas da administração oral, que geralmente apresenta uma duração de ação mais curta e picos plasmáticos que podem aumentar a incidência de efeitos adversos [3]. A formulação em adesivo permite a liberação contínua e estável do medicamento através da pele, proporcionando alívio prolongado dos sintomas [3].
Mecanismo de Ação
O mecanismo de ação da escopolamina baseia-se na sua capacidade de atuar como um antagonista competitivo e não seletivo dos receptores muscarínicos M1 de acetilcolina [4]. A acetilcolina é um neurotransmissor crucial para a comunicação entre o sistema nervoso central e periférico [4].
Quando uma pessoa experimenta enjoo de movimento (cinetose), ocorre uma descoordenação sensorial: a visão pode indicar que o ambiente está estático, enquanto o sistema vestibular do ouvido interno sinaliza que o corpo está em movimento [5]. Esta contradição de informações enviadas ao centro do vômito na medula oblongata resulta em sensações de náusea, vômito e vertigem [5].
A escopolamina atua bloqueando os impulsos nervosos nos centros vestibulares e no centro da náusea, prevenindo que estas mensagens contraditórias desencadeiem o quadro de cinetose [5]. Além de sua ação central, o fármaco também exerce efeitos periféricos, promovendo o relaxamento da musculatura lisa e a redução das secreções glandulares [1].
Indicações Terapêuticas
A Food and Drug Administration (FDA) aprova o uso do adesivo transdérmico de escopolamina (marca comercial de referência nos Estados Unidos: Transderm Scōp) para duas indicações principais em adultos [1] [2]:
- Prevenção da cinetose (enjoo de movimento): Utilizado em viagens de carro, avião ou navio, onde os sintomas de náusea e vômito são comuns.
- Prevenção da náusea e vômito pós-operatórios (NVPO): Associados à recuperação de anestesia geral e ao uso de analgésicos opioides durante cirurgias [1].
Além destas indicações aprovadas, a escopolamina transdérmica é frequentemente prescrita em regimes "off-label" (fora de bula) para o manejo de outras condições. Um uso clínico relevante inclui o tratamento da sialorreia (hipersalivação excessiva) em pacientes com doenças neurológicas, como a paralisia cerebral [6]. Outras aplicações "off-label" documentadas na literatura incluem o manejo de espasmos gastrointestinais e náuseas induzidas por quimioterapia [1].
Farmacocinética e Aplicação
O adesivo transdérmico contém 1,5 mg de escopolamina. Após a aplicação na pele limpa, seca e sem pelos na região postauricular (atrás da orelha), o sistema libera uma dose primária (priming dose) rapidamente, seguida por uma liberação contínua de aproximadamente 1 mcg por hora durante um período de 72 horas (três dias) [1] [3].
Esta via de administração garante concentrações plasmáticas estáveis, evitando os picos e vales observados com a ingestão de comprimidos [3]. O início da ação clínica ocorre tipicamente entre 4 a 6 horas após a aplicação, atingindo o pico de efeito ao redor das 24 horas [1].
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Via de Administração | Transdérmica (aplicada atrás da orelha) |
| Duração do Efeito | Até 72 horas (3 dias) |
| Início de Ação | 4 a 6 horas |
| Pico de Efeito | 24 horas |
| Armazenamento | Temperatura ambiente, protegido de luz e umidade |
Para informações sobre a disponibilidade do medicamento, como comprar escopolamina adesivo, recomenda-se consultar farmácias especializadas e serviços de importação legalmente habilitados, como a Relifarm.
Precauções e Efeitos Adversos
Como todo fármaco anticolinérgico, a escopolamina apresenta um perfil de efeitos adversos característico. Os eventos mais frequentes incluem xerostomia (boca seca), sonolência, tontura e irritação no local da aplicação [5].
A visão turva (borrão visual) e a midríase (dilatação pupilar) também são efeitos comuns [1] [5]. Estes efeitos oftalmológicos ocorrem frequentemente devido à transferência acidental do medicamento da mão para os olhos após o manuseio do adesivo, destacando a importância de lavar rigorosamente as mãos após a aplicação ou remoção do sistema [5].
Efeitos adversos mais graves, embora raros, incluem confusão, agitação, retenção urinária e alucinações [2]. Em casos de reações adversas severas ou sinais de toxidade anticolinérgica, o adesivo deve ser removido imediatamente e a região lavada com água e sabão [2].
Recentemente, em junho de 2025, a FDA emitiu um comunicado de segurança alertando para o risco de hipertermia (aumento da temperatura corporal) associada ao uso da escopolamina transdérmica [7]. O fármaco pode prejudicar a capacidade do corpo de regular a temperatura e reduzir a sudorese, o que pode levar a complicações graves relacionadas ao calor [7]. Este risco é especialmente acentuado em crianças menores de 17 anos e adultos com mais de 60 anos [7].
Contraindicações
O uso da escopolamina é estritamente contraindicado em pacientes com histórico de hipersensibilidade a alcaloides de beladona [1]. Devido ao seu efeito de dilatação pupilar, o medicamento é contraindicado para pacientes com glaucoma de ângulo fechado, pois a midríase pode bloquear a drenagem do humor aquoso e precipitar um ataque agudo de glaucoma [1] [2].
Outras contraindicações incluem íleo paralítico, obstrução gastrointestinal, hemorragia aguda, tireotoxicose, taquicardia secundária a insuficiência cardíaca e miastenia grave [5].
Considerações Especiais
A escopolamina deve ser utilizada com extrema cautela em populações vulneráveis. O uso em crianças menores de 12 anos não é comumente recomendado devido ao aumento do risco de efeitos adversos neurológicos [2]. Em idosos, há um risco aumentado de reações psiquiátricas, como confusão, agitação e alucinações [2].
Pacientes com histórico de doenças psiquiátricas, convulsões, obstrução urinária ou pré-eclâmpsia grave devem ser monitorados rigorosamente [2]. Além disso, a escopolamina pode interagir com diversas classes de medicamentos, incluindo anti-histamínicos, antidepressivos tricíclicos, sedativos e álcool, potencializando efeitos depressores do sistema nervoso central [5].
É importante ressaltar que o adesivo contém uma camada metálica e não deve ser utilizado durante exames de ressonância magnética (MRI), pois o metal pode causar queimaduras na pele no local da aplicação [1].
Referências
- Riad M, Hithe CC. Scopolamine. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554397/
- National Library of Medicine. Scopolamine Transdermal Patch. MedlinePlus. 2025. Disponível em: https://medlineplus.gov/druginfo/meds/a682509.html
- Renner UD, Oertel R, Kirch W. Pharmacokinetics and pharmacodynamics in clinical use of scopolamine. Ther Drug Monit. 2005;27(5):655-665.
- Center for Medications and Health Information. Escopolamina. Disponível em: https://www.centermedh.com.br/principio-ativo/escopolamina
- Hospital Sírio-Libanês. Ficha de Informações Farmacológicas: Escopolamina Adesivo Transdérmico. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/SiteAssets/escopolamina-adesivo/Ficha%20de%20Informa%C3%A7%C3%A3o%20Farmacologica%20-%20patch%20escopolamina.pdf
- Spmfrjournal. Escopolamina Transdérmica no Tratamento da Sialorreia. 2023. Disponível em: https://spmfrjournal.org/index.php/spmfr/article/view/448
- U.S. Food and Drug Administration (FDA). Transderm Scōp (Scopolamine Transdermal System): Drug Safety Communication. 2025. Disponível em: https://www.fda.gov/safety/medical-product-safety-information/transderm-scop-scopolamine-transdermal-system-drug-safety-communication-fda-adds-warning-about